Como leciono filosofia? Parte 3

Postado em Ensino de Filosofia, Filosofia, Filosofia acadêmica, Questão 11: O ensino da filosofia em 10/10/2009 por Gustavo Bertoche

Uma postagem anterior gerou uma resposta muito gentil do professor Daniel Brisolara, resposta que continha algumas questões interessantes. As questões foram:

Então os alunos já possuem o material que você elabora? Eles compram, ganham, tiram cópias?

Em uma escola, os alunos recebem o material bimestralmente, juntamente com os outros materiais preparados pela mesma editora. Em outra escola, compram o material diretamente da editora no começo do ano.

Sinto que não há materiais adequados ao nível intelectual dos alunos. Não sei se só comigo é assim, mas percebo há uma série de dificuldades seja porque os alunos não possuem um vocabulário lá muito rico – e hoje em dia vêm desenvolvendo dialetos próprios carregados de gírias – seja porque andam extremamente desatentos, seja porque conhecem muito pouco de história e outras informações de mundo que não permitem relacionar ou permitem de maneira extremamente precária o conteúdo explicado com o que já sabem.

Isso depende muito das escolas, das turmas e dos alunos. Já lecionei em escolas cuja totalidade dos alunos não tinham capacidade de acompanhar a mínima tentativa de abstração conceitual. Isso aconteceu, por exemplo, em uma escola estadual onde lecionei no começo do ano passado (passei no concurso, entrei, mas saí: não suportei a idéia de trabalhar sem ter a menor condição de trabalho). Contudo, atualmente trabalho em escolas que têm, em cada turma, pelo menos alguns alunos capazes de acompanhar raciocínios mais complexos, alunos que têm uma cultura de fundo que faz com que não apenas valorizem a filosofia, mas que se esforcem para compreender minhas aulas.

Não sei até que ponto é válido ou importante de fato relacionar a filosofia com o dia-a-dia dos alunos. E essas relações não acabam sendo de certa forma meio forçadas?

Acredito que um conhecimento só é importante quando faz sentido na experiência de quem conhece. A filosofia, sendo um conhecimento, só é importante se ajuda a explicar ou resolver questões que estão na vida de quem estuda. Claro que “questão que está na vida da pessoa” é uma expressão extremamente ampla: pode referir-se à solução de um problema no emprego ou no namoro, mas também pode referir-se ao problema da definição do conhecimento ou de um dilema ético. Colocar os problemas, inclusive criando questões na mente dos alunos, é uma tarefa que cabe ao professor. Por outro lado, se a filosofia é meramente a exposição detalhada de um conjunto de “filosofias”, sem nenhuma conexão com as questões importantes para alguém, então não vale a pena perder tempo estudando essa disciplina.

Não acha excessivo a parte de contexto histórico e história das idéias?

Eu vejo o ensino médio como um lugar no qual se pode fazer filosofia a partir dos problemas e a partir da história simultaneamente. De fato, essas são as duas formas tradicionais de se fazer filosofia: pelo contexto histórico e pelos problemas em si mesmos. Só não acredito que essas duas formas sejam excludentes, pelo menos quando se faz uma introdução à filosofia (ok, uma introdução em três anos – mas ainda uma introdução). Claro que isso exige um programa estruturado historicamente, e deixa muito menos margem para a livre escolha dos temas pela turma; contudo, o professor é o professor, ora, e é ele quem deve guiar o percurso, visto que é ele quem conhece o ponto de chegada do processo. Digo isso porque há uns dez ou doze anos, quando comecei a lecionar, utilizei um método a-histórico: a filosofia a partir somente de problemas. O resultado foi pífio. Sem um embasamento, cada aluno achava-se no direito de ter suas próprias opiniões, que eram consideradas tão válidas quanto as “opiniões” que eu dava. Pudera: os alunos não conheciam nada da história dos problemas que eu colocava! Como eu poderia querer que tivessem qualquer posição mais elaborada, se não conheciam os erros já reconhecidos pela tradição filosófica?

Como fazes para que os alunos ensaiem seus primeiros passos na filosofia propriamente dita?

Onde eu quero chegar: para fazer filosofia propriamente dita, os alunos precisam conhecer o modo como a filosofia foi feita, precisam ter contato com textos filosóficos, precisam conhecer a história dos problemas, que é a própria história da filosofia. A partir daí, é possível empreender uma série de pequenos passos:

- em primeiro lugar, é necessário saber interpretar um texto filosófico;

- em segundo lugar, é necessário saber relacionar as idéias de um texto com as idéias de outro texto, ou com outras idéias;

- em terceiro lugar, é necessário saber reconhecer argumentos, com suas teses e conclusões respectivas, e saber construir argumentos válidos;

- finalmente, dou-me por satisfeito caso o aluno consiga, em um pequeno ensaio (que não precisa passar de duas páginas), argumentar de modo rigoroso a favor ou contra uma tese filosófica que relacione-se com o problema discutido (por meio da história da filosofia) em sala de aula. Nesse ponto, deixo o aluno completamente à vontade para escolher se vai defender ou atacar a tese.

A respeito do ensaio, deixo claro que os critérios de avaliação são:

> a pertinência da tese defendida ou atacada em relação ao problema proposto;

> a qualidade dos argumentos dedutivos e/ou indutivos utilizados;

> a demonstração da conclusão do texto pela argumentação apresentada;

> a estruturação clara do texto (introdução, desenvolvimento, conclusão);

> a ortografia e a gramática.

Para cada item dou dois pontos (com a exceção do primeiro item; se não for integralmente cumprido, a redação volta ao aluno sem nota).

Assim, sempre que possível, espero que os alunos ensaiem seus primeiros passos com ensaios.

Ao professor Daniel, obrigado pelas perguntas.

Lançamento da tradução de “A ordenação da realidade” de Heisenberg

Postado em Eventos em 05/10/2009 por Gustavo Bertoche

Em 14 de outubro, às 19 horas, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, será lançada a tradução brasileira de A Ordenação da Realidade (Ed. Forense Universitária), um interessante livro filosófico escrito pelo célebre físico Werner Heisenberg. O texto foi originalmente escrito durante a II Guerra, quando Heisenberg decidiu permanecer na Alemanha para criar uma “ilha” científica na qual a ciência pudesse continuar viva.

A tradução é de Marco Antônio Casanova, professor de filosofia da UERJ.

Convite - A ordenação da realidade

Só para completar a festa, o prof. Zelijko Loparic apresentará palestra sobre a filosofia da ciência de Heisenberg.

11 de setembro

Postado em 9/11, Mudanças em 11/09/2009 por Gustavo Bertoche

É um assunto meio óbvio hoje, né? Mas as conseqüências pessoais que o 11/09 me trouxe não são óbvias.

11 de setembro de 2001. Eu estava no último período da faculdade de filosofia, às voltas com minha monografia, dando aula em duas escolas.

Tive aula bem cedo na UERJ. Cheguei por volta de 9h em casa e fui estudar. Meu irmão chamou logo depois: “Gustavo, caiu um avião em Nova Iorque!”

Não dei muita importância, pois as estatísticas dizem que isso um dia aconteceria. Fui para a sala assistir à televisão.

Diante da cena da torre do WTC em chamas, imaginei que algum louco teria lançado seu monomotor (no máximo seu jatinho particular) contra o edifício. Quando soube que era um Boeing, fiquei chocado, mas ainda achava que teria sido um acidente – mesmo quando começaram a surgir rumores de atentado terrorista.

Foi quando, sentado no sofá, copo de coca-cola na mão, assisti – live – ao segundo avião.

Tive a certeza de que era um atentado.

Minha primeira reação foi de euforia. Sim, euforia. Afinal, eu estava testemunhando, ao vivo, a História.

Minha segunda reação foi a alegria de uma vingança. Vingança. Fiquei feliz em ver que os EUA haviam sido golpeados com força.

Continuei assistindo. Os bombeiros partiam para dentro da fumaça. Os repórteres, sob a chuva de detritos, permaneciam fazendo a cobertura. Paramédicos chegavam aos montões, tentando salvar aquelas pessoas totalmente enegrecidas de fuligem e de cimento. Sem saída, homens e mulheres, queimados, desesperados, desiludidos, se jogavam para a morte.

Minha terceira reação foi a vergonha.

Vergonha de achar o atentado o máximo. Vergonha de pensar: “finalmente”. Vergonha de meu terrível preconceito. Vergonha de, me achando inteligente, assumir valores de ideologias assassinas.

O onze de setembro não mudou só a geopolítica. Mudou a mim, num sentido muito profundo. Eu não podia, depois daquele atentado absurdo, continuar com meus valores ingênuos de rapaz latino-americano ressentido por ter nascido num país de merda.

Deixei de acreditar em utopias. Larguei a militância no PSB. Identifiquei que eu era, sem me dar conta, anti-liberal, anti-democrata, anti-americano, anti-semita; percebi que eu detestava o golpe de 64, mas adorava o regime castrista; percebi que eu achava um absurdo a Guerra do Iraque, mas achava linda a guerrilha das FARC; percebi que eu considerava pior uma bomba israelense sobre um abrigo de terroristas do que um terrorista palestino explodindo um ônibus escolar.

Estranho: embora eu tenha largado as utopias, deixei de ser pessimista quanto ao ser humano. Ao mesmo tempo que passava a acreditar no ser humano, me descobri detestando qualquer forma de absolutismo.

Isso porque não eram ideologias se jogando do WTC. Não eram ideologias enfrentando os desabamentos. Não eram ideologias sacrificando a própria vida por alguém que não conheciam.

Eram pessoas que morriam. Milhares de pessoas. Morriam sem saber o porquê – porque fanáticos políticos desejavam, como eu desejava, inflingir dor a um povo cujo grande pecado foi ter, por seus próprios méritos, crescido em riqueza e em liberdade.

Que eu nunca mais precise de um onze de setembro para despertar.

E que os radicais de todo o mundo, um dia, possam abrir a vista e olhem, envergonhados, para a monstruosidade assassina e covarde que criaram – e arrependam-se de todo o coração.

Filosofia no vestibular da UFF 2009-2010

Postado em Ensino de Filosofia, Filosofia, Questão 11: O ensino da filosofia em 07/09/2009 por Gustavo Bertoche

No Rio, houve nos dois anos anteriores prova de Filosofia no vestibular da UFRJ. Neste ano, com a adoção do ENEM em parte da seleção, a UFRJ não tem mais a disciplina.

Contudo, a UFF adota, no Vestibular 2009-2010, a Filosofia como disciplina da prova não-específica para as seguintes carreiras:

Administração
Administração Pública
Arquivologia
Biblioteconomia e Documentação
Ciências Contábeis
Ciências Econômicas
Ciências Sociais
Cinema e Audivisual
Comunicação Social – Jornalismo
Comunicação Social – Publicidade e Propaganda
Direito
Estudos de Mídia
Filosofia
Geografia
História
Letras
Pedagogia
Produção Cultural
Relações Internacionais
Serviço Cultural
Turismo

Isso significa que os concorrentes a essas áreas terão que resolver 9 questões de Filosofia.

O que poderá ser cobrado na prova?

De acordo com o programa, praticamente toda a história da filosofia antiga, medieval e moderna.

O programa da prova de Filosofia é extremamente abrangente e exigente. Não é um programa tipo engana-trouxa: é realmente um programa de História da Filosofia ligada a questões da natureza (ciências exatas) e a questões de humanidades e artes.

Certamente, quem não se preparou durante os três anos anteriores com aulas de Filosofia terá dificuldades para realizar a prova.

Eis o programa, digno de primeiro ano de curso universitário de Filosofia:

As questões de Filosofia serão elaboradas segundo duas referências principais. A primeira diz respeito às relações da Filosofia com as Ciências Exatas e naturais, as Ciências Humanas e as Artes. A segunda refere-se à perspectiva histórica da Filosofia, seja quanto ao processo de gestação e desenvolvimento das idéias filosóficas, seja quanto ao contexto histórico em que estas idéias surgiram, sem esquecer a dimensão biográfica dos próprios filósofos.

Parte I : A Filosofia da Antiguidade Greco-Romana

1. O NASCIMENTO DA FILOSOFIA: Condições históricas e aspectos favoráveis ao surgimento e desenvolvimento da Filosofia e das ciências na Grécia; espanto ou admiração (thaumatzein) como uma das fontes da filosofia segundo Platão e Aristóteles; mito e filosofia; primeiras indagações sobre o universo e o ser humano: as primeiras cosmogonias e a questão da responsabilidade humana e do destino; religiosidade grega e suas relações com o nascimento da Filosofia; os Pré-Socráticos e os problemas da unidade, da multiplicidade, do movimento, da mudança e da permanência; as idéias de devir, natureza, princípio, causa, cosmo e razão; filosofia, ciência e técnica; filosofia e vida social; os valores éticos e a filosofia; a filosofia, a estética e arte; a filosofia como indagação crítica: liberdade e conhecimento; as principais escolas da Filosofia da Antiguidade Greco-Romana e suas alternâncias entre as ênfases cosmológica e antropológica.

2. PLATÃO: vida e contexto histórico; os Sofistas e o ambiente filosófico de Atenas do século V A.C.; Sócrates e Platão; a obra de Platão como expressão da busca por um pensamento articulado sobre as questões fundamentais da Filosofia: os problemas da justiça, do conhecimento, do ser e da alma; opinião (doxa) e conhecimento (episteme); a teoria das idéias; as concepções de Platão sobre a sociedade, a política e a arte.

3. ARISTÓTELES: vida e contexto histórico; o significado e a repercussão histórica da obra aristotélica; o distanciamento crítico de Aristóteles com a teoria das idéias de Platão; a lógica; a metafísica e a concepção aristotélica da realidade; o sistema do conhecimento e as ciências; a ética, a política e a arte; o sistema do Mundo legado por Aristóteles e sua influência na história do pensamento.

4. O LEGADO DA CIÊNCIA GRECO-ROMANA: visão geral da atividade científica da antiguidade greco-romana; a idéias sobre a física e a astronomia; o papel da medicina no pensamento científico da antiguidade.

Parte II : A Filosofia da Europa Medieval

5. A ESCOLÁSTICA E TOMÁS DE AQUINO: Tendências principais da filosofia medieval; condições históricas do surto intelectual europeu dos séculos XI e XII e a Escolástica; o pensamento árabe-islâmico e a renovação do pensamento medieval europeu; Tomás de Aquino: razão e fé, teologia e filosofia; as provas de existência de Deus.

Parte III : A Filosofia da Época Moderna

6. O NASCIMENTO DO PENSAMENTO MODERNO: Renascimento, Humanismo e Reforma; valorização da Antiguidade Clássica; a dignidade do ser humano como tema da filosofia; saber, beleza e bem; pensamento político e social: Maquiavel, Tomás Moro e Tomás Campanella; visão crítica sobre o ser humano: Erasmo de Rotterdam e Montaigne; a filosofia de Nicolau de Cusa; a Revolução Científica dos séculos XVI e XVII e as novas concepções sobre a natureza e o conhecimento científico; matemática e experimentação; Leonardo da Vinci, Nicolau Copérnico, Tycho Brahe, Giordano Bruno, Francis Bacon, René Descartes, Galileu Galilei, Johann Kepler e Isaac Newton; principais escolas e sistemas da Filosofia européia moderna até o idealismo de Kant.

7. RACIONALISMO E EMPIRISMO: O ambiente político e cultural europeu dos séculos XVI e XVII: conflitos políticos e religiosos e suas expressões intelectuais; sensibilidade e pensamento no Barroco e sua influência no Brasil; a questão da liberdade de consciência e a afirmação do pensamento secular; Descartes e o racionalismo; o Empirismo em Locke, Berkeley e Hume.

8. O ILUMINISMO: conceito e contexto histórico do Iluminismo; CARACTERÍSTICAS GERA IS DO ILUMINISMO: confronto entre Razão e tradição; otimismo da Razão; estado de natureza; crítica à religião e o deísmo ou religião natural; hegemonia da Física newtoniana; ciência e progresso; a metafísica como ilusão e o combate da Razão contra as superstições; o papel transformador da educação; o estado como construção humana e a idéia de contrato; EXPOENTES DO ILUMINISMO: John Locke como iniciador do Iluminismo; o liberalismo político; o Iluminismo na França: Voltaire, A Enciclopédi, Rousseau e Montesquieu; influências do Iluminismo em Portugal e no Brasil; o Iluminismo na Alemanha.

9. KANT E A CRISE DA CONSCIÊNCIA MODERNA: vida e obra de Immanuel Kant; o pensamento de Kant como procura de resposta às grandes linhas do pensamento moderno: de Descartes a Kant; de Locke e Hume a Kant; de Rousseau a Kant; o significado da idéia de crítica e a metáfora da revolução copernicana; a Crítica da Razão Pura e a Crítica da Razão Prática; razão e metafísica e razão e religião em Kant; a ética e a política de Kant; a influência de Kant no pensamento do século XIX.

Na verdade, parece-me que um aluno só poderá preparar-se, com a ajuda da escola onde estuda, caso tenha pelo menos dois tempos semanais de Filosofia durante os três anos do Ensino Médio. Não há cursinho que dê conta de tudo isso em um ano.

Isso é bom: valoriza o ensino sério da disciplina, dando mais um argumento aos professores sérios contra a proposta de alguns diretores de “aliviar” a matéria, transformando vinte e cinco séculos de investigação sobre a realidade, o conhecimento e o ser humano, investigação que está na base de todas as ciências modernas, em bate-papo, em palhaçada ou em auto-ajuda.

Links:

Provas por Carreira 2010: http://www.coseac.uff.br/2010/provas.htm

Programa das Provas 2010: http://www.coseac.uff.br/2010/arquivos/UFF-Vestibular%202010%20-%20Programa%20das%20provas.pdf

Colégio Palas – 3a Série – Resolução dos Exercícios

Postado em Materiais para Aula em 22/08/2009 por Gustavo Bertoche

Unidade 10 – O Iluminismo

Questão 1

O aluno deve explicar que o mecanicismo era uma visão de mundo que considerava que a natureza é um grande mecanismo, uma grande máquina. Assim, segundo o mecanicismo, todos os processos naturais ocorrem como se o Universo fosse uma espécie de relógio, onde cada parte da realidade tem sua função específica. O mecanicismo é geralmente ligado ao determinismo, que afirma que, se forem conhecidas as condições iniciais de um sistema (por exemplo, o Universo), então é possível calcular a situação do sistema em qualquer momento posterior.

Questão 2

O aluno deve responder que o papel do mecanicismo na Revolução Científica foi o de fornecer uma visão de mundo apropriada para a concepção de que seria possível compreender a natureza como se compreende uma máquina, ou seja, a partir da constituição de seus componentes e das forças que neles atuam.

Questão 3

b

Questão 4

b

Questão 5

c

Questão 6

c

Questão 7

b

Questão 8

e

Questão 9

a

Questão 10

d

Questão 11

e

Questão 12

b

Unidade 11 – Locke

Questão 1

c

Questão 2

b

Questão 3

d

Unidade 12 – Rousseau

Questão 1

d

Questão 2

d

Questão 3

e

Questão 4

O aluno deve responder que Rousseau relaciona progresso e desigualdade no sentido em que, a partir da situação de igualdade inicial do estado de natureza, o ser humano progride, melhorando suas condições de sobrevivência, por meio da invenção e da acumulação de propriedade, o que causa a desigualdade. Assim, pode-se dizer que o progresso é a causa da desigualdade.

Questão 5

a) O aluno pode responder que os elementos substituídos são: (i)modo de vida incerto e precário, (ii)independência natural, (iii)poder de prejudicar a outrem, (iv) sua força, que outras podiam dominar (o candidato deverá indicar dois). Os elementos conquistados são: (i)um modo de vida melhor e mais seguro, (ii) liberdade, (iii)segurança própria, (iv)um direito que a união social torna invencível.

b) O aluno deve discutir em que sentido a substituição do estado de natureza pelo estado civil pode ser considerada vantajosa. Deve-se avaliar o conteúdo da resposta, assim como a capacidade de conectar a noção de vantagem com o sentido das trocas que tiverem sido indicadas na resposta do item (a).

Qual a sua posição política?

Postado em Links, Questão 02: A ação humana, Questão 05: A política em 17/08/2009 por Gustavo Bertoche

Na rede há um site (em inglês) que permite que você perceba junto de quais personalidades históricas você se encontra, de acordo com suas posições  sobre o ser humano, a sociedade, a economia, a religião, etc.

O site é o the political compass.

A idéia é simples. Baseia-se na tese de que a posição das crenças pessoais de alguém pode ser definida em dois eixos: o eixo que vai da esquerda (coletivismo) à direita (liberalismo econômico), que demarca as posições econômicas, e o eixo que vai do libertarianismo político radical (anarquismo) ao autoritarismo (fascismo), que demarca as posições políticas.

(Por coincidência, geralmente encerro minhas aulas sobre a origem iluminista das posições políticas ocidentais do século XX (liberalismo e igualitarismo) com um gráfico muito parecido com o do the political compass).

De acordo com os princípios expostos acima, por exemplo, podemos colocar as seguintes personalidades assim:

Gráfico das Ideologias

Exemplo de compasso político

Podemos colocar virtualmente todos os líderes políticos de regimes ocidentais modernos neste gráfico. Somente tenho dúvidas se essa representação funciona para classificar personalidades que partem de princípios que não são exatamente políticos ou econômicos: por exemplo, teocracias.

O meu gráfico pessoal é este:

Meu compasso político

Meu compasso político

O que isso quer dizer? Essencialmente, que acredito que o desejo de liberdade da consciência individual é a única força capaz de mover um homem nas minhas circunstâncias na direção do bem.

O site the political compass foi descoberto por meio do blog perspespectivas.

* * *

Graças ao Daniel Brisolara, descobri mais dois testes, e, melhor, em português.

O teste da revista Veja pode ser encontrado em:  http://veja.abril.com.br/idade/testes/politicometro/politicometro.html

O teste do Ordem Livre pode ser encontrado em:  http://www.ordemlivre.org/node/153

Ao Daniel, obrigado.

Sobre o verdadeiro filósofo

Postado em Filosofia acadêmica em 15/08/2009 por Gustavo Bertoche

“Quando hás de, enfim, começar a viver virtuosamente?”, disse Platão a um ancião que lhe pedia escutar algumas lições sobre a virtude. Não se deve apenas especular, mas é necessário também, de uma vez por todas, pensar em praticar. Mas hoje toma-se por sonhador aquele que vive de acordo com o que ensina.

Kant

Léxico Filosófico

Postado em Filosofia e Humor em 08/08/2009 por Gustavo Bertoche

Se você lê em inglês e gosta de filosofia, não deixe de visitar o léxico filosófico de Daniel Dennett.

É uma das coisas mais engraçadas que vi na rede ultimamente.

Quatro verbetes, só pra sentir o gostinho:

feyerabend, n. (fr. German “feuer” & “abend”) The last brilliant moment of a conceptual framework before death and transfiguration. Every conceptual framework has its feyerabend.

heidegger, n. A ponderous device for boring through thick layers of substance. “It’s buried so deep we’ll have to use a heidegger.”

kuhn, n. A fox often mistaken for a hedgehog; it is usually attended by such a commotion that it appears more than twice as heavy as it really is.

marcuse, v. To criticize vehemently from a Marxist perspective. “Je marcuse!” – J. P. Sartre.

Pensar contra o cérebro

Postado em Questão 06: A ciência em 04/08/2009 por Gustavo Bertoche

Doravante o cérebro já não é o instrumento absolutamente adequado do pensamento científico, ou seja, o cérebro é obstáculo para o pensamento científico. Obstáculo, no sentido de ser um coordenador de gestos e apetites. É preciso pensar contra o cérebro.

Gaston Bachelard

Como leciono filosofia? Parte 2

Postado em Ensino de Filosofia, Filosofia, Filosofia acadêmica, Questão 11: O ensino da filosofia com as tags , em 01/08/2009 por Gustavo Bertoche

Continuando a postagem anterior, vou agora expor, em linhas gerais, o que faço em sala de aula.

O meu método de ensino é imperfeito, mas é o que considero o menos ruim a partir das condições pedagógicas comuns na maioria das escolas.

A primeira delimitação do método que utilizo é o tempo: uma aula de 45 ou 50 minutos por semana – o que perfaz o total de uns 30 tempos de aula por ano, o equivalente a 22 a 25 horas horas de aula por ano. Se descontado o tempo de entrada em classe, chamada, etc., temos de 15 a 20 horas de aula por um ano letivo. O que dá para fazer com esse tempo?

Dado que o tempo é escassíssimo, é mister decidir o que é mais importante. Essa é a primeira grande decisão metodológica do professor. O que é importante aos alunos estudar em Filosofia?

Considero que duas coisas são essenciais. Sem elas, o próprio trabalho filosófico torna-se impossível.

O primeiro conteúdo que leciono é lógica da argumentação. Naturalmente, o conteúdo precisa ser condensado e resumido. Ensino a diferenciar frases quaisquer e proposições, mostro propriedades gerais das proposições, apresento conceitos de “verdade”, ensino dedução e indução. Só isso. Com velocidade, é possível fazê-lo em um bimestre.

Depois, começo a trabalhar conceitos filosóficos, que são o objeto próprio da investigação filosófica. Nessa etapa, os alunos precisam ser capazes de diferenciar conceitos filosóficos de conceitos não-filosóficos. Dada a necessidade de contextualizar historicamente esses conceitos, e para aproveitar o tempo ao máximo, introduzo também neste momento a história da filosofia. Pessoalmente, trabalho na 1a Série com conceitos e história da filosofia clássica e helenística; na 2a Série com conceitos e história da filosofia medieval e renascentista; e na 3a Série com conceitos e história da filosofia moderna. Essas duas coisas – a lógica da argumentação e os conceitos filosóficos em conjunto com a história da filosofia – são os limites nos quais movimento minha prática didática.

É necessário jamais tentar esgotar o tema. Dispõe-se, na melhor das hipóteses, de dois tempos de aula para abordar um conteúdo. Por isso, sempre escolho dois ou três conceitos importantes por aula e só. Se os alunos apreendem corretamente esses conceitos, fazendo as relações corretas entre eles e entre outros conteúdos, fico satisfeito: a aula foi dada.

O material que uso é de confecção própria e é produzido para uma editora pedagógica. Consiste na breve apresentação do tema, em trecho de texto de filósofo que abordou o tema e em exercícios.

Considero que o mais importante, contudo, não é o material didático. É o modo como o professor apresenta o conteúdo. O professor deve mostrar como os conceitos abordados referem-se à vida dos alunos: como contribuíram para a formação do modo de pensar que os alunos têm, como podem ser utilizados para resolver problemas teóricos e práticos com os quais os alunos se depararão na vida.

Por exemplo: ao falar sobre a Teoria das Formas de Platão, começo mostrando como os alunos têm a concepção de que a aparência de uma coisa não corresponde necessariamente à sua essência; interpreto um aluno dizendo “fulana é bonitinha, mas por dentro não vale nada” ou “fulano parece elegante, mas no fundo é um grosseirão”; explico o conceito moderno de “amor platônico” e por que esse conceito foi utilizado pelos poetas românticos do século XIX; e, por fim, apresento a origem platônica desse dualismo aparência x essência. Assim, os alunos podem compreender por que pensam como pensam, e preparam-se para aula posterior que aborda a crítica aristotélica à teoria platônica.

Essas são as partes especificamente filosóficas de meu trabalho em sala de aula. Fora isso, existe a necessidade absoluta de preparar cada aula com muito cuidado; existe a atenção fundamental com a elaboração (e com a correção!) das provas; existe a interseção entre os alunos e o professor e entre o professor e os outros professores e o próprio colégio. Tudo isso deve estar bem resolvido para um trabalho feliz.